sábado, 5 de maio de 2007

Bahia de Todos os Santos

Fita rodada aqui na Bahia em 1959/60, Bahia de Todos os Santos, direção de Trigueirinho Neto, é filme pertencente ao boom da cinematografia soteropolitana detectada entre 1959 e 1962. Ainda que de autoria paulista, o filme pode ser enquadrado no Ciclo Baiano de Cinema porque passeia na tela uma certa baianidade, impressa pelos inegáveis traços da cultura local como o candomblé e a gente nativa da Bahia, e não apenas pelas imagens de lugares reconhecíveis.

Quando Trigueirinho decide fazer Bahia de Todos os Santos, o crítico Glauber Rocha suspeita da sinceridade das suas intenções de imprimir em sua obra uma imagem da cultura local, nada mais natural tomando-se em consideração a cautela que se tinha em relação ao olhar do “estrangeiro”, afinal, a Bahia não é só paisagem e sol todo o ano, é uma terra de relações culturais e sociais muito mais complexas que clamam por sua reverberação. Suspeita superada, Glauber depois de ver o filme pronto define-o como um filme de autor, que rompia com o cinema tradicional do Brasil da época (caracterizado pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz), trilhando um caminho já aberto por Nelson Pereira dos Santos em Rio, 40 Graus e Rio Zona Norte.

O longa conta a história de um grupo de amigos que vivem de pequenos furtos e da pescaria. Personagem chave deste grupo é Tônio (Jurandir Pimentel), um homem dual, as suas ambigüidades permeiam todo o filme. Ele
é negro para os brancos e branco para os negros; odeia as lembranças de um pai, mas não admite que lhe digam que não tem pai; vive um relacionamento amoroso que não lhe satisfaz, mas não é capaz de deixá-lo, em suma, um personagem complexo, nada de maniqueísmo.

O filme se passa na década de 1940, numa Bahia (Brasil em geral) em plena vigência do Estado Novo getulista. Nas ruas o que se estabelece é a ordem repressiva e todo movimento identificado como desestabilizador deste sistema é reprimido. Os sindicatos se organizam, há um intenso movimento, o grupo de amigos de Tônio partici
pa ativamente do levante grevista, num dos conflitos com a policia acontece a morte de um deles e um policial é ferido, está instalada a crise, os grevistas serão perseguidos. A amante de Tônio quer afastá-lo dos companheiros de movimento, ele não quer e termina por roubar os pertences dela para ajudar os perseguidos. Ela o denuncia e ele acaba preso.

Outro ponto importante e que permeia todo o filme é o desejo latente de buscar uma vida em outro Estado, e o Rio de Janeiro, então Capital Federal, era tida como o lugar das oportunidades. O sonho de ir embora é mais forte, Tônio não acredita que possa progredir aqui na Bahia, terra atrasada. A questão do candomblé como uma religião marginalizada também é abarcada pela fita. O terreiro é visto como um lugar onde habitam pessoas fortes, com valores de solidariedade e resistência.

Os elementos autênticos da Bahia, a representação dos nativos nos tipos colhidos nas ruas da própria cidade de Salvador é a identidade deste filme. Negros, as gentes do porto, os candomblés, soldados, compõem o cenário soteropolitano visto por Trigueirinho.

3 comentários:

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Pesquisa de Iniciação Científica: Bahia Cinematográfica – Levantamento da Produção Audiovisual Baiana